quinta-feira, 22 de março de 2012

BAUDELAIRE



Órfão de pai aos seis anos, Charles-Pierre Baudelaire viria a odiar o segundo marido da mãe, o general Jacques Aupick (mais tarde, esse sentimento inspiraria sua atitude rebelde em face das convenções sociais e dos temas frívolos na poesia).

Após anos de desavenças com o padrasto, Baudelaire interrompeu os estudos em Lyon para fazer uma viagem à Índia. Na volta, participou da Revolução de 1848.

Após esse período conturbado, passou a freqüentar a elite aristocrática. Envolveu-se com a atriz Marie Daubrun, a cortesã Apollonie Sabatier e a também atriz Jeanne Duval, uma mulata por quem se apaixonou e a quem dedicou o ciclo de poemas "Vênus Negra".

Em 1847, lançou "La Fanfarlo", seu único romance (trata-se, mais propriamente, de uma novela autobiográfica).

Dez anos depois, quando se publicaram "As Flores do Mal" ("Les Fleurs du Mal"), todos os envolvidos com o livro foram processados por obscenidade e blasfêmia.

Além de pagarem multa, viram-se obrigados a retirar seis poemas do volume original (só publicado na integra em edições póstumas). Tanto "As Flores do Mal" como "Pequenos Poemas em Prosa" (póstumos, 1869) introduziram elementos novos na linguagem poética, fundindo opostos existenciais como o sublime e o grotesco.

Entre seus ensaios, destaca-se "O Princípio Poético" (1876), em que fixa as bases de seu trabalho. Nos diários (também publicados postumamente), revela-se profético e radical contestador da civilização moderna.

Literato que avançou as fronteiras dos costumes em sua época, Baudelaire lançou-se como crítico de arte no Salão de 1845, sempre buscando um princípio inspirador e coerente nas obras artísticas. ("Salão" era o nome pelo qual se conhecia a mais importante mostra anual da pintura e da escultura francesas.)

De 1852 a 1865, Baudelaire traduziu os textos do poeta e contista norte-americano Edgar Allan Poe, por quem se entusiasmara já no final da década de 1840.

Outro Baudelaire, o sifilítico e usuário de drogas, surge em "Os Paraísos Artificiais, Ópio e Haxixe" (1860), uma especulação sobre plantas alucinógenas, parcialmente inspirada pelas "Confissões de um Comedor de Ópio" (1821), do escritor inglês Thomas de Quincey. Há também obras de cunho intimista e confessional, como "Meu Coração Desnudo".

Baudelaire foi um dos maiores poetas franceses de todos os tempos. Alguns o consideram um antecessor do parnasianismo, ou um romântico exacerbado. Pioneiro da linguagem moderna, impôs à realidade uma submissão lírica. Embora muito criticado, tinha entre seus admiradores homens como Victor Hugo, Gustave Flaubert, Arthur Rimbaud e Paul Verlaine.

Dissipou seus bens na boemia e na jogatina parisienses. Mergulhado em dívidas, teve de resignar-se a medidas judiciárias tomadas pelos familiares, e um tutor foi nomeado para controlar-lhe os gastos.

Seus últimos anos foram obscurecidos por doenças de origem nervosa. Após uma vida repleta de tribulações, Baudelaire morreu com apenas 46 anos, nos braços da mãe. Seu talento e seu intelecto só seriam totalmente reconhecidos depois. No século 20, tornou-se um ícone, influenciando direta e indiretamente toda a moderna poesia ocidental. 



"Embriaga-te sem cessar! Com vinho, com poesia e com virtude." 




Existem em todo o homem, a todo o momento, duas postulações simultâneas, uma a Deus, outra a Satanás. A invocação a Deus, ou espiritualidade, é um desejo de elevar-se; aquela a Satanás, ou animalidade, é uma alegria de precipitar-se no abismo. 





As nações não têm grandes homens senão contra a vontade delas - assim como as famílias. 




A gramática, a mesma árida gramática, transforma-se em algo parecido a uma feitiçaria evocatória; as palavras ressuscitam revestidas de carne e osso, o substantivo, em sua majestade substancial, o adjectivo, roupa transparente que o veste e dá cor como um verniz, e o verbo, anjo do movimento que dá impulso á frase. 




Apenas é igual a outro quem prova sê-lo e apenas é digno da liberdade quem a sabe conquistar. 




Quem não souber povoar a sua solidão, também não conseguirá isolar-se entre a gente. 




A imaginação é a rainha do real e o possível é uma das províncias do real. 




Deus é o único ser que, para reinar, nem precisa existir. 




Só nos esquecemos do tempo quando o utilizamos. 




Todos os grandes poetas se tornam naturalmente, fatalmente, críticos. 




Quanto mais se quer, melhor se quer. 




Não podendo suportar o amor, a Igreja quis ao menos desinfectá-lo, e então fez o casamento. 




Ali, tudo é ordem e perfeição. Luxo, calma, e sensação. 




A felicidade é composta de pequenos prazeres. 




O trabalho não é o sal que conserva as almas mumificadas? 




Manejar sabiamente uma língua é praticar uma espécie de feitiçaria evocatória. 




O homem que só bebe água tem algum segredo que pretende ocultar dos seus semelhantes. 




O poeta é como o príncipe das nuvens. As suas asas de gigante não o deixam caminhar. 




Todo o homem saudável consegue ficar dois dias sem comer - sem a poesia, jamais. 




Como foi a imaginação que criou o mundo, ela governa-o. 




Para o comerciante até a honestidade é uma especulação financeira. 




Amar as mulheres inteligentes é um prazer de pederasta. 




A imaginação é positivamente aparentada com o infinito. 




Há que trabalhar, ainda que não seja por gosto, ao menos por desespero, uma vez que, bem vistas as coisas, trabalhar é menos aborrecido do que divertirmo-nos. 




Que há de mais absurdo que o progresso, já que o homem, como está provado pelos fatos de todos os dias, é sempre igual e semelhante ao homem, isto é, sempre em estado selvagem. 




Homem livre, tu sempre gostarás do mar. 




A admiração começa onde acaba a compreensão. 




Aos olhos da saudade como o mundo é pequeno. 




Que é o amor?
A necessidade de sair de si.
O homem é um animal adorador
Adorar é sacrificar-se e prostituir-se
Assim, todo amor é prostituição. 







EMBRIAGUEM-SE!


"É preciso estar sempre embriagado. Eis aí tudo: é a única questão. Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo que rompe os vossos ombros e vos inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem trégua.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira. Mas embriagai-vos.
E se, alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre a grama verde de um precipício, na solidão morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, responder-vos-ão: 'É hora de embriagar-vos! Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos: embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira'."







VAMPIRO

Tu que, como uma punhalada,
Em meu coração penetraste
Tu que, qual furiosa manada
De demônios, ardente, ousaste,

De meu espírito humilhado,
Fazer teu leito e possessão
- Infame à qual estou atado
Como o galé ao seu grilhão,

Como ao baralho ao jogador,
Como à carniça o parasita,
Como à garrafa o bebedor
- Maldita sejas tu, maldita!

Supliquei ao gládio veloz
Que a liberdade me alcançasse,
E ao vento, pérfido algoz,
Que a covardia me amparasse.

Ai de mim! Com mofa e desdém,
Ambos me disseram então:
"Digno não és de que ninguém
Jamais te arranque à escravidão,

Imbecil! - se de teu retiro
Te libertássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!" 





O homem que só bebe agua,tem um segredo a esconder. 





Teus olhos são lassos, amante!
Olhos em sono a se perder,
Nesta posição tão distante
Pode surpreenter-te o prazer
E pelo pátio o jorro de água
Não cala nunca o seu rumor,
E entretém a extasiada mágoa
Em que pode atirar-me o amor.

Mas o amor irradia
E é odo flores
Ede Febo a alegria
Enche-o de corres
E tal chuva desfia
Imensas dores 


Se o veneno, a paixão, o estupro, a punhaladaNão bordaram ainda com desenhos finos
A trama vã de nossos míseros destinos,
É que nossa alma arriscou pouco ou quase nada. 


“Existem manhãs em que abrimos a janela, e temos a impressão de que o dia está nos esperando.” 

O amor é um crime que não pode acontecer sem cúmplice!

"Porque o túmulo há sempre de entender o poeta" 


Eis que alcancei o outono de meu pensamento 

Como os finais de tarde outoniços são penetrantes! Ah! Penetrantes até a dor! 

Na cama está deitada a deusa, a soberana dos sonhos. Mas como é que ela veio aqui? Quem a trouxe, que poder mágico a instalou neste trono de fantasia e de volúpia? 
Que demônio benévolo é esse que me deixou assim envolto em mistério, em silêncio, em paz e perfumes? 

Sim o tempo reina; ele retomou sua brutal ditadura. E está-me empurrando, como se eu fosse um boi, com seu duplo aguilhão: "Vai, anda, burrico! Vai, sua, escravo! Vai, vive, maldito!" 

...Minha alma me parecia tão vasta e pura quanto a cúpula do céu que me envolvia. 

Há uma terra que se parece contigo, onde tudo é belo, rico, tranquilo e honesto, onde a fantasia ergueu e decorou uma China ocidental, onde a vida é doce de respirar, onde a felicidade se une ao silêncio. É lá que devemos ir viver, é lá que devemos ir morrer! - L'horloge 

Toda pessoa traz em si uma dose de ópio natural incessantemente secretada e renovada... 
Esses tesouros, esses móveis, esse luxo, essa ordem, esses perfumes, essas flores miraculosas - és tu. Ainda és tu, esses grandes rios e canais tranquilos. Os enormes navios que eles levam, todos carregados de riquezas e de onde sobem os cantos monótonos da manobra, são meus pensamentos que dormem ou resolvem-se no teu peito. Suavemente, tu os conduzes para o mar que é o infinito, espelhando as profundezas do céu na limpidez da tua bela alma; e quando, cansados do marulho e abarrotados de produtos do Oriente, eles regressam ao porto natal, são de novo meus pensamentos enriquecidos que voltam do infinito a ti. 

Quero representar uma diversão inocente. Há poucos divertimentos que não sejam culpáveis! 

Quero representar uma diversão inocente. Há poucos divertimentos que não sejam culpáveis! 

Parece-me que sempre estaria bem lá onde não estou, e essa questão de mudança é uma das que não cesso de discutir com minha alma. 


A UMA PASSANTE

A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;

Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
No tempestuoso céu do seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.

Brilho... e a noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?

Longe daqui! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste! 



               

           As flores do mal


A QUE ESTÁ SEMPRE ALEGRE 
Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem;
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.

A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua flama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.

As fulgurantes, vivas cores
De tua vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um balé de flores.

Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!

Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;

E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.

Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,

Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,

E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!




O CONVITE À VIAGEM

     Minha doce irmã,
     Pensa na manhã
Em que iremos, numa viagem,
     Amar a valer,
     Amar e morrer
No país que é a tua imagem!
     Os sóis orvalhados
     Desses céus nublados
Para mim guardam o encanto
     Misterioso e cruel
     Desse olhar infiel
Brilhando através do pranto.

Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.

     Os móveis polidos,
     Pelos tempos idos,
Decorariam o ambiente;
     As mais raras flores
     Misturando odores
A um âmbar fluido e envolvente,

     Tetos inauditos,
     Cristais infinitos,
Toda uma pompa oriental,
     Tudo aí à alma
     Falaria em calma
Seu doce idioma natal.

Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.

     Vê sobre os canais
     Dormir junto aos cais
Barcos de humor vagabundo;
     É para atender
     Teu menor prazer
Que eles vêm do fim do mundo.
     — Os sangüíneos poentes
     Banham as vertentes,
Os canis, toda a cidade,
     E em seu ouro os tece;
     O mundo adormece
Na tépida luz que o invade.

Lá, tudo é paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.
 




O estudo do belo é um combate em que o artista grita de pavor antes de ser vencido.

A fatalidade possui uma certa elasticidade a que é costume chamar-se liberdade humana

A nossa alma é um ''três mastros'' em busca do seu Ícaro
A vida é um hospital onde cada doente está possuído pelo desejo de mudar de cama


Na declaração dos direitos do homem esqueceram-se de incluir o direito a contradizer-se

O belo é sempre raro
O comércio é, na sua essência, satânico

O poeta goza deste privilégio incomparável: pode a seu capricho ser o mesmo e ser outro

Para conhecer a felicidade é preciso ter a coragem de a engolir

Odeio o movimento que desloca as linhas

O Asco da Imprensa 


É impossível percorrer uma qualquer gazeta, seja de que dia for, ou de que
mês, ou de que ano, sem aí encontrar, em cada linha, os sinais da perversidade
humana mais espantosa, ao mesmo tempo que as presunções mais surpreendentes de
probidade, de bondade, de caridade, a as afirmações mais descaradas, relativas
ao progresso e à civilização.
Qualquer jornal, da primeira linha à última, não passa de um tecido de horrores.
Guerras, crimes, roubos, impudicícias, torturas, crimes dos príncipes, crimes
das nações, crimes dos particulares, uma embriaguez de atrocidade universal.
E é com este repugnante aperitivo que o homem civilizado acompanha a sua
refeição de todas as manhãs. Tudo, neste mundo, transpira o crime: o jornal, a
muralha e o rosto do homem.
Não compreendo que uma mão pura possa tocar num jornal sem uma convulsão de
asco.




O Chicote e a Preguiça 


Há loucuras matemáticas e loucos que pensam que dois e dois são três?
Noutros termos, - a alucinação pode, se estas palavras não uivam [serem
acasaladas juntas], invadir as coisas de puro raciocínio? Se, quando um homem
adquire o hábito da preguiça, do devaneio, da mandriice, ao ponto de deixar
incessantemente para o dia seguinte as coisas importantes, um outro homem o
acorda uma manhã com grandes chicotadas e o chicoteia sem piedade até que, não
podendo trabalhar por prazer, trabalha por medo, este homem - o chicoteador -,
não seria realmente amigo dele, seu benfeitor? Aliás, pode afirmar-se que o
prazer chegaria depois, com muito mais justo título do que se diz: o amor chega
depois do casamento.
Do mesmo modo, em política, o verdadeiro santo é aquele que chicoteia e mata o
povo, para bem do povo.




Prazer e o Trabalho 


Em cada minuto somos esmagados pela ideia e a sensação do tempo. E apenas
existem dois meios para escapar a tal pesadelo, para esquecê-lo: o prazer e o
trabalho. O prazer gasta-nos. O trabalho fortifica-nos. Escolhamos.
Quanto mais nos servimos de um destes meios, mais o outro nos inspira
repugnância.




As Nações e os Grandes Homens


As nações apenas possuem grandes homens sem a sua intervenção - como as
famílias. Fazem todos os esforços para não tê-los. E, assim, o grande homem
precisa, para existir, de possuir uma força de agressão maior do que a força de
resistência desenvolvida por milhões de indivíduos.




O Papel da Ilusão na Nossa Vida 


«As ilusões», dizia-me o meu amigo, «talvez sejam em tão grande número
quanto as relações dos homens entre si ou entre os homens e as coisas. E, quando
a ilusão desaparece, ou seja, quando vemos o ser ou o facto tal como existe fora
de nós, experimentamos um sentimento bizarro, metade dele complicada pela
lástima da fantasia desaparecida, metade pela surpresa agradável diante da
novidade, diante do facto real».



Criar Banalidades, até Chegar ao Génio 


Um pouco de trabalho, repetido trezentas e sessenta e cinco vezes, dá
trezentas e sessenta e cinco vezes um pouco de dinheiro, isto é, uma soma
enorme. Ao mesmo tempo, a glória está feita.
Do mesmo modo, uma porção de pequenos gozos compõem a felicidade. Criar uma 
banalidade, é o génio. Devo criar uma banalidade. 


 



quarta-feira, 21 de março de 2012

NELSON MANDELA



Nelson Rolihlahla Mandela foi um líder rebelde e, posteriormente, presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Principal representante do movimento anti-apartheid, considerado pelo povo um guerreiro em luta pela liberdade, era tido pelo governo sul-africano como um terrorista e passou quase três décadas na cadeia.

De etnia Xhosa, Mandela nasceu no pequeno vilarejo de Qunu, distrito de Umtata, na região do Transkei. Aos sete anos, Mandela tornou-se o primeiro membro da família a frequentar a escola, onde lhe foi dado o nome inglês "Nelson". Seu pai morreu logo depois, e Nelson seguiu para uma escola próxima ao palácio do Regente. Seguindo as tradições Xhosa, ele foi iniciado na sociedade aos 16 anos, seguindo para o Instituto Clarkebury, onde estudou cultura ocidental.

Em 1934, Mandela mudou-se para Fort Beaufort, cidade com escolas que recebiam a maior parte da realeza Thembu, e ali tomou interesse no boxe e nas corridas. Após se matricular, ele começou o curso para se tornar bacharel em direito na Universidade de Fort Hare, onde conheceu Oliver Tambo e iniciou uma longa amizade.

Ao final do primeiro ano, Mandela se envolveu com o movimento estudantil, num boicote contra as políticas universitárias, sendo expulso da universidade. Dali foi para Johanesburgo, onde terminou sua graduação na Universidade da África do Sul (UNISA) por correspondência. Continuou seus estudos de direito na Universidade de Witwatersrand.

Como jovem estudante do direito, Mandela se envolveu na oposição ao regime do apartheid, que negava aos negros (maioria da população), mestiços e indianos (uma expressiva colônia de imigrantes) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano em 1942, e dois anos depois fundou com Walter Sisulu e Oliver Tambo, entre outros, a Liga Jovem do CNA.

Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos afrikaners (Partido Nacional), que apoiavam a política de segregação racial, Mandela tornou-se mais ativo no CNA, tomando parte do Congresso do Povo (1955) que divulgou a Carta da Liberdade - documento contendo um programa fundamental para a causa anti-apartheid.

Comprometido de início apenas com atos não-violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville, em março de 1960, quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180.

Em 1961, ele se tornou comandante do braço armado do CNA, o chamado Umkhonto we Sizwe ("Lança da Nação", ou MK), fundado por ele e outros. Mandela coordenou uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo e viajou para a Argélia para treinamento paramilitar.

Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu) e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega).

No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou o lema das campanhas anti-apartheid em vários países.

Durante os anos 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985, não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada. Mandela continuou na prisão até fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk.

Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da paz em 1993.

Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa.

Ele se casou três vezes. A primeira esposa de Mandela foi Evelyn Ntoko Mase, da qual se divorciou em 1957 após 13 anos de casamento. Depois casou-se com Winie Madikizela, e com ela ficou 38 anos, divorciando-se em 1996, com as divergências políticas entre o casal vindo a público. No seu 80º aniversário, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano.

Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Ele recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Elizabeth 2ª., a medalha presidencial da Liberdade, de George W. Bush, o Bharat Ratna (a distinção mais alta da Índia) e a Ordem do Canadá.

Em 2003, Mandela fez alguns pronunciamentos atacando a política externa do presidente norte-americano Bush. Ao mesmo tempo, ele anunciou seu apoio à campanha de arrecadação de fundos contra a AIDS chamada "46664" - seu número na época em que esteve na prisão.

Em junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou que se retiraria da vida pública. Fez uma exceção, no entanto, por seu compromisso em lutar contra a AIDS.

A comemoração de seu aniversário de 90 anos foi um ato público com shows, que ocorreu em Londres, em julho de 2008, e contou com a presença de artistas e celebridades engajadas nessa luta. 







A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo. 



O bravo não é quem não sente medo, mas quem vence esse medo. 


Não há nada como regressar a um lugar que está igual para descobrir o quanto a gente mudou. 


Se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende, isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria liguagem, você atinge seu coração." 


Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos. 


Uma boa cabeça e um bom coração formam sempre uma combinação formidável. 


Você não é amado porque você é bom, você é bom porque é amado 


Eu sou o capitão da minha alma. 


Não se esqueça de que os santos são pecadores que continuam tentando. 


Fofocar sobre os outros é certamente um defeito, mas é uma virtude quando aplicado a si mesmo 




Nascemos para manifestar 
a glória do Universo que está dentro de nós. 
Não está apenas em um de nós: está em todos nós. 
E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, 
inconscientemente damos às outras pessoas 
permissão para fazer o mesmo. 
E conforme nos libertamos do nosso medo, 
nossa presença, automaticamente, libera os outros. 





Devemos promover a coragem onde há medo , promover o acordo onde existe conflito, e inspirar esperança onde há desespero. 


"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." 





Perdoem. Mas não esqueçam! 




SEJA QUAL FOR O DEUS, EU SOU O MESTRE DO MEU DESTINO E CAPITÃO DA MINHA ALMA. 




Considero isso como um dever que tinha, não apenas com meu povo, mas também com minha profissão, praticar a lei e a justiça para toda a humanidade, gritar contra esta discriminação que é essencialmente injusto e oposto a toda a base de aititude através da justiça que integra a tradição do treinamento legal neste país. Eu acreditei que ao me opor contra esta injustiça eu deteria a dignidade do que seria uma profissão honrada. 




Todos nos sentimos no topo do mundo. Essa foi a justificativa para os sacrifícios que têm sido feitos por nosso povo desde a chegada dos brancos neste país em 1652. 




Como podem esperar que eu acredite que esta mesma discriminação racial que tem sido a causa de tanta injustiça e sofrimento através dos anos, agora operaria aqui para me dar uma chance leal e aberta?... 




Não há nada como a liberdade. 




Este é um dos momentos mais importantes na vida de nosso país. Estou aqui, em frente a vocês, repleto de profundo orgulho e alegria - orgulho das pessoas comuns e humildes deste país. Vocês têm demonstrado tanta calma, paciência e determinação para reclamar este país para vocês e agora com alegria podemos gritar dos telhados: Finalmente livres! Finalmente livres! 




Quando o sangue começa a ferver, é tolice desligar o coração. 




Seja qual for o castigo que sua crença considera justo para me impôr pelo crime pelo qual fui condenado ante esta corte, tenha certeza de que quando minha sentença for completada, ainda serei compelido pelo o que os homens sempre são; pela consciência. 




A beleza curiosa da música africana é que ela anima mesmo quando nos conta uma história triste. Você pode ser pobre, pode ter apenas uma casa desmantelada, pode ter perdido o emprego, mas essa canção lhe dá esperança. A música africana é sempre sobre as aspirações do povo africano. 


Eu odeio o racismo, pois o considero uma coisa selvagem, venha ele de um negro ou de um branco. 


Somente homens livres podem negociar; prisioneiros não podem fazer acordos. Sua liberdade e a minha não podem ser separadas. 




Se existe sonhos sobre uma bela África do Sul, há também estradas que levam a este objetivo. Duas destas estradas podem ser chamadas Bondade e Clemência. 




Cultivo minha própria liberdade carinhosamente, mas cuido ainda mais da nossa liberdade. Tantos têm morrido desde que deixei a prisão. Tantos têm sofrido pelo amor à liberdade. Devo isso às suas viúvas, aos seus órfãos, às suas mães e aos seus pais, que enlutaram e sofreram por eles. 




Quando deixamos nossa luz própria brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo. 




Será que alguém realmente pensa que eles não conseguiram o que queriam porque não tinham o talento ou a força ou a tolerância do comprometimento? 



Isso foi uma das coisas que me preocuparam - ter ascendido à posição de semi-deus - pois daí em diante você não é mais um ser humano. Eu queria ser conhecido como Mandela, um homem com fraquezas, algumas das quais são fundamentais, e um homem que é engajado.






Comenta-se que ninguém de fato conhece uma nação até que se veja numa de suas prisões. Uma nação não deveria ser julgada pela forma que trata seus mais ilustres cidadãos, mas como trata os seus mais simplórios. 






Como eu tenho dito, a primeira coisa é ser honesto consigo mesmo. Você não pode nunca ter um impacto sobre a sociedade se não mudou a si próprio... Os grandes pacificadores são todas pessoas íntegras, honestas, exceto humildes. 






Não há mais caminho fácil para a liberdade em lugar algum, e muitos de nós têm que atravessar o vale das sombras da morte de novo e de novo antes de alcançarmos o topo da montanha de nossos desejos. 




É melhor liderar de trás e colocar outros na frente, especialmente quando você celebra a vitória quando coisas legais acontecem. Você assume a linha de frente quando há perigo. Daí as pessoas apreciarão sua liderança. 




Se quiser fazer as pazes com o seu inimigo, você tem que trabalhar com ele. Daí, ele se torna seu parceiro. 






Sempre parece impossível até que seja feito. 






Como um líder, eu sempre me esforcei para ouvir o que cada pessoa tinha a dizer numa discussão antes de dar minha própria opinião. Com frequência, minha opinião simplesmente representará um consenso do que eu ouvi na discusão. Eu sempre lembro o conceito básico: um líder é como um pastor de ovelhas. Ele fica atrás do rebanho, deixando o mais esperto sair na frente, sendo seguido pelos outros, sem reconhecer que desde o início eles estão sendo dirigidos por trás 




Temos que utilizar o tempo de forma inteligente para sempre reconhecer que o tempo está sempre pronto para fazer a coisa certa. 




A maior glória em viver não está em jamais cair, mas em nos levantar cada vez que caímos. 




Há vitórias que são importantes apenas para aqueles que as conseguem. 




Democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia. 




Aids não é mais só uma doença, é uma questão de direito humano. Como eu fiquei preso com uma sentença de prisão perpétua, as pessoas infectadas pelo HIV vivem com uma condenação para a vida toda. Temos os remédios e as formas de livrar as pessoas desta condenção em mãos. Precisamos agir juntos para fazer esta ajuda chegar as pessoas necessitadas. 



Nem as grades de uma prisão conseguirão destruir os nossos sonhos. 



A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta. 



O meu desejo é algo pelo qual espero viver e também alcançar. Mas, se
necessário for, o meu desejo é algo pelo qual estou preparado para morrer.